No dia 22 de outubro, o machismo à brasileira fez mais uma vítima. A Geni da vez atende pelo nome de Geisy Arruda. Pelo fato de ter usado uma saia curta, a jovem estudante de turismo foi hostilizada por colegas, na Universidade Bandeirante (Uniban), em São Bernardo do Campo (SP). A aluna foi obrigada a vestir um jaleco de professor e teve que sair da escola escoltada por policiais porque os estudantes ameaçaram linchá-la.
Tal comportamento furioso se valeu da crença de que o traje da estudante afetaria de forma negativa a reputação moral daquela instituição de ensino, pois o estilo em questão apimentaria de forma pornográfica o ambiente acadêmico que deve ser sóbrio e respeitoso. Com receio de perder vários “alunos-clientes” e aderindo à revolta dos universitários, os dirigentes da Uniban, de forma desastrosa, resolveram também repudiar a estudante, chegando ao cúmulo de expulsá-la da escola. Pressionada pela opinião pública, a cúpula voltou atrás na decisão, mas a brutalidade do episódio já havia deixado profundas feridas.
Pelas imagens na Internet, percebemos que a Uniban teve o seu dia de Coliseu Romano na época dos seus espetáculos medievais sangrentos. Jogada à cova dos leões, Geisy foi inúmeras vezes chamada de “puta”, por um coro raivoso. Este episódio me fez lembrar o refrão da música Geni e o Zepelim, no qual Chico Buarque critica o puritanismo hipócrita e o utilitarismo vulgar que regem de forma conservadora e preconceituosa a nossa etiqueta sexual: “Joga pedra na Geni/Joga pedra na Geni/Ela é feita pra apanhar/Ela é boa de cuspir/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni”. Humilhada, Geisy foi a Geni do mundo real.
Antes de contar com o aval coletivo, suspeita-se que a agressividade presente naquela forma de tratamento começou por conta de alguns “tarados de plantão” que ficaram desconcertados por não terem suas expectativas sexistas atendidas pela garota. Considerada bonita e atraente, Geisy, ao ser enquadrada no perfil da “mulher fatal”, foi compreendida dentro do imaginário falocêntrico não como ser humano, mas como apetitosa fêmea (forma animalesca) e, portanto, um objeto de caça que deve ser conquistado a qualquer custo. Triste é saber que tal formatação reforça a tese arcaica de que uma mulher, quando opta em usar uma minissaia, só pode se configurar como amante sedutora, já que companheiras afetuosas e mães ajuizadas devem ser recatadas, conforme manda o figurino reacionário.
Geisy também foi vítima da permanente naturalização da subalternidade feminina impetrada pela doxa masculina e patriarcal, com base na pretensa inferioridade inata do chamado “sexo frágil”. Articulados em uma estratégia visivelmente comprometida em imbecilizar e reificar a mulher, sendo esta reduzida a mero objeto de prazer, os perseguidores da estudante, na verdade, quiseram submeter a sua inteligência, colocando-a à sombra de um talento físico. Ao inviabilizarem a permanência de Geisy na Uniban, os carrascos engrossaram a lista daqueles que historicamente se empenham em interditar a trajetória feminina no universo intelectual.
Esse tipo de ocorrência em que uma horda age de forma selvagem por contaminação de uma ou outra pessoa de personalidade perversa ou patológica atende pelo nome de “comportamento de manada”. Trata-se de situações em que indivíduos em grupo reagem da mesma forma, sem que haja para tanto uma reflexão apurada, um juízo crítico elaborado. Por isso, tal conduta de massa traz efeitos nocivos que impedem o exercício do debate e estimulam a prática do combate entre as pessoas. Triunfa, assim, o pensamento único, inteligentemente criticado pelo dramaturgo Nélson Rodrigues, em sua célebre frase: “toda unanimidade é burra”. Além da constatação desse propósito alienador, o que aconteceu na Uniban traz à tona a “banalidade do mal” denunciada pela filósofa Hannah Arendt como origem do totalitarismo. A atitude violenta da Uniban em relação a Geisy focaliza, a um só tempo, o imperativo da ordem e disciplina, e o desejo de reprimir condutas tidas como “desviantes”, valendo-se de prerrogativas tão caras às organizações de cunho fascista que aspiram a ser morais.
O horrendo episódio traz à mente o interessante filme A onda (1981). Numa escola americana, o professor Burt Ross resolve fazer uma experiência com os alunos para explicar como se deu o nazismo. O historiador elege uma turma como a melhor do colégio. Esta, envaidecida, passa a se comportar como se, de fato, pertencesse a uma “raça dominante”. Com o slogan “Poder, Disciplina e Superioridade”, o grupo passa a comandar os demais estudantes, numa operação clássica de governo concentrado em uma causa mítica irracional. Um aluno que se opôs à ideologia dominante recebeu fortes ameaças até ser excluído. Com o alerta dado por um casal de estudantes sobre as graves consequências do experimento pedagógico, o professor teve que desmascarar os fundamentos presentes naquela onda autoritária, proferindo os seguintes dizeres: “Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós”.
Conduta fundamentalista semelhante ocorreu no fuzilamento moral sofrido por Geisy Arruda, na Uniban. Impressiona como o preconceito, a violência e a ira podem se espalhar rapidamente, misturando ódio e deboche em uma operação de empoderamento totalitário aberrante. São pessoas que ignoram o bom senso para se sentirem superiores. Agindo assim, condenam o outro pela aparência, numa atitude tacanha e bárbara de fazer justiça com as próprias mãos. Sem dúvida, uma prática demasiadamente desumana.
Marcos Fabrício Lopes da Silva
Jornalista, formado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Doutorando e mestre em Estudos Literários/Literatura Brasileira pela
Faculdade de Letras da UFMG.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Filme de terror de baixo orçamento vira hit nos EUA
´Paranormal activity´ já faturou mais de US$ 30 milhões nos EUA.
Longa conquistou legião de fãs graças a sucesso na internet.

Imagem do filme 'Paranormal activity', em cartaz nos EUA.
Os críticos disseram: "o filme mais assustador da década", "o filme mais assustador da minha vida", "o filme mais assustador de nosso tempo". Para algumas produções de Hollywood, citações como essas são apenas a cereja sobre uma campanha de marketing de dezenas de milhões de dólares. No caso de "Paranormal activity", filme de terror de baixo orçamento em cartaz nos Estados Unidos, elas são a própria campanha de marketing.
As frases citadas acima, repetidas vezes em contextos diversos em comunidades virtuais como o Twitter ou o Facebook, impulsionaram o longa. No fim de semana dos dias 9 a 11 de outubro, a arrecadação do fim de semana chegou a US$ 7,9 milhões, conquistando a alta marca de US$ 49.379 por sala de cinema. Neste fim de semana, foram mais US$ 20 milhões, ultrapassando a barreira dos US$ 33 milhões no total.
"Paranormal activity" não tem grandes estrelas nem altos investimentos. Mas vem contando com uma legião de fãs que cresce minuto a minuto, na medida em que mais pessoas postam suas impressões sobre o filme na internet. A distribuidora Paramount Pictures gastou até agora alguns poucos milhões de dólares promovendo o filme, uma fração mínima do que é normalmente investido em grandes lançamentos. Parte desse dinheiro foi gasto em sites e na programação de sessões antes da estreia, que deram início à propaganda boca-a-boca a favor do longa.
Escrito e dirigido por Oren Peli, feito com um orçamento de apenas US$ 15 mil, o filme nasceu da ideia de refazer, com mais dinheiro e brilho, a produção com cara de documentário (porém, ficcional), que contava a história de um casal atormentado por estranhos fenômenos e aparições. Mas o estúdio achou que os rascunhos da história de terror de Peli se sustentavam por si só. No roteiro, um casal se muda e passa a achar que seres sobrenaturais perambulam pela casa durante a noite. Assim, ligam uma câmera para registrar o que acontece enquanto estão dormindo. Essas imagens formam "Paranormal activity". O projeto ganhou ajustes, cortes e melhoras. Passou-se, então, a pensar numa forma de atrair fãs.
O estúdio começou promovendo sessões à meia-noite, em 13 cidades dos Estados Unidos, e depois deixou o público decidir onde o filme deveria ser exibido. Em sua segunda semana, "Paranormal activity" chegou a outros 20 mercados norte-americanos. As sessões passaram a ocupar salas de cinema durante todo o dia, e o estúdio continuou aumentando as salas de exibição para 46 cidades. A intenção é que ele siga viagem de acordo com o que os fãs decidirem em votação na internet, mas "Paranormal activity" já está em mais de uma centena de cinemas nos EUA.
A legião de fãs segue crescendo exponencialmente, à medida em que as pessoas vão vendo o filme. "Paranormal activity" permaneceu entre os tópicos mais populares do Twitter durante vários dias seguidos. "Nos sites de relacionamento na internet todo mundo está falando sobre quão assustador é esse filme", afirma Paul Dergarabedian, analista de bilheterias do site Hollywood.com. "Isso não acontece todo dia."
O sucesso fez lembrar "A bruxa de Blair" (1999), outro filme de terror de baixo orçamento que acabou se transformando em fenômeno mundial, tendo arrecadado US$ 140 milhões. E outros filmes do mesmo genêro, que com a internet acabaram ganhando fãs ao redor do globo, como "Serpentes a bordo" (2006) e "Cloverfield - Monstro" (2008). Mas o filme tem potencial para entrar na lista dos hits que ultrapassaram US$ 100 milhões em bilheteria? "Seria altamente improvável, já que isso não aconteceu ainda nesta década. Eu certamente não traçaria uma meta nesse sentido, mas é fato que o filme se
transformou em um grande sucesso, e seu desempenho nas próximas semanas mostrará quão grande esse sucesso pode ser", afirma Rob Moore, presidente da Paramount.
Fonte: Portal G1
Longa conquistou legião de fãs graças a sucesso na internet.

Imagem do filme 'Paranormal activity', em cartaz nos EUA.
Os críticos disseram: "o filme mais assustador da década", "o filme mais assustador da minha vida", "o filme mais assustador de nosso tempo". Para algumas produções de Hollywood, citações como essas são apenas a cereja sobre uma campanha de marketing de dezenas de milhões de dólares. No caso de "Paranormal activity", filme de terror de baixo orçamento em cartaz nos Estados Unidos, elas são a própria campanha de marketing.
As frases citadas acima, repetidas vezes em contextos diversos em comunidades virtuais como o Twitter ou o Facebook, impulsionaram o longa. No fim de semana dos dias 9 a 11 de outubro, a arrecadação do fim de semana chegou a US$ 7,9 milhões, conquistando a alta marca de US$ 49.379 por sala de cinema. Neste fim de semana, foram mais US$ 20 milhões, ultrapassando a barreira dos US$ 33 milhões no total.
"Paranormal activity" não tem grandes estrelas nem altos investimentos. Mas vem contando com uma legião de fãs que cresce minuto a minuto, na medida em que mais pessoas postam suas impressões sobre o filme na internet. A distribuidora Paramount Pictures gastou até agora alguns poucos milhões de dólares promovendo o filme, uma fração mínima do que é normalmente investido em grandes lançamentos. Parte desse dinheiro foi gasto em sites e na programação de sessões antes da estreia, que deram início à propaganda boca-a-boca a favor do longa.
Escrito e dirigido por Oren Peli, feito com um orçamento de apenas US$ 15 mil, o filme nasceu da ideia de refazer, com mais dinheiro e brilho, a produção com cara de documentário (porém, ficcional), que contava a história de um casal atormentado por estranhos fenômenos e aparições. Mas o estúdio achou que os rascunhos da história de terror de Peli se sustentavam por si só. No roteiro, um casal se muda e passa a achar que seres sobrenaturais perambulam pela casa durante a noite. Assim, ligam uma câmera para registrar o que acontece enquanto estão dormindo. Essas imagens formam "Paranormal activity". O projeto ganhou ajustes, cortes e melhoras. Passou-se, então, a pensar numa forma de atrair fãs.
O estúdio começou promovendo sessões à meia-noite, em 13 cidades dos Estados Unidos, e depois deixou o público decidir onde o filme deveria ser exibido. Em sua segunda semana, "Paranormal activity" chegou a outros 20 mercados norte-americanos. As sessões passaram a ocupar salas de cinema durante todo o dia, e o estúdio continuou aumentando as salas de exibição para 46 cidades. A intenção é que ele siga viagem de acordo com o que os fãs decidirem em votação na internet, mas "Paranormal activity" já está em mais de uma centena de cinemas nos EUA.
A legião de fãs segue crescendo exponencialmente, à medida em que as pessoas vão vendo o filme. "Paranormal activity" permaneceu entre os tópicos mais populares do Twitter durante vários dias seguidos. "Nos sites de relacionamento na internet todo mundo está falando sobre quão assustador é esse filme", afirma Paul Dergarabedian, analista de bilheterias do site Hollywood.com. "Isso não acontece todo dia."
O sucesso fez lembrar "A bruxa de Blair" (1999), outro filme de terror de baixo orçamento que acabou se transformando em fenômeno mundial, tendo arrecadado US$ 140 milhões. E outros filmes do mesmo genêro, que com a internet acabaram ganhando fãs ao redor do globo, como "Serpentes a bordo" (2006) e "Cloverfield - Monstro" (2008). Mas o filme tem potencial para entrar na lista dos hits que ultrapassaram US$ 100 milhões em bilheteria? "Seria altamente improvável, já que isso não aconteceu ainda nesta década. Eu certamente não traçaria uma meta nesse sentido, mas é fato que o filme se
transformou em um grande sucesso, e seu desempenho nas próximas semanas mostrará quão grande esse sucesso pode ser", afirma Rob Moore, presidente da Paramount.
Fonte: Portal G1
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Filme de zumbi de 70 dólares será exibido na 33ª Mostra

Colin, de Marc Price
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Beth Andalaft, para o “Jornal da Mostra”
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Beth Andalaft, para o “Jornal da Mostra”
Um filme de zumbi realizado com uma câmera de vídeo ao custo de apenas 70 dólares, conseguiu distribuição nos cinemas do Reino Unido e é uma das atrações da 33ª Mostra Internacional de Cinema, de 23 de outubro a 5 de novembro.
Colin, dirigido pelo britânico Marc Price, chegará aos cinemas britânicos a tempo de competir com os “blockbusters” de Hollywood produzidos para o Halloween, neste mês de outubro. “Se eu pensar friamente, é um pouco assustador, ver o sucesso chegar ao preço de um cordão de sapatos”, diz o diretor. Por se tratar de seu primeiro longa-metragem, o filme integra a Competição de Novos Diretores da Mostra, concorrendo ao Troféu Bandeira Paulista.
Price escreveu, dirigiu, filmou e editou Colin em 18 meses, durante os quais trabalhava à noite como motorista de táxi. Aos 30 anos, em seu primeiro trabalho e com pouca publicidade, ele conseguiu voluntários a zumbi no sitio de relacionamentos Facebook. Aprendeu maquiagem e efeitos especiais assistindo à sua coleção de DVDs de filmes de terror e ouvindo os comentários de outros diretores.
Segundo Marc, precisou apenas de US$ 70, algumas fitas, um pouco de café e chá para manter os zumbis felizes no set. Desde o sucesso de Colin, Price tem sido procurado por jovens cineastas de todo o mundo, interessados em fazer seus próprios filmes mesmo com poucos recursos financeiros. “Essa é a melhor parte”, diz Price, lembrando que era como esses jovens quando tinha 16 anos de idade – mas ressaltando que o seu celular deve ter uma imagem melhor que a câmera de vídeo deles.
Quando lançar o DVD de Colin o diretor promete colocar informações sobre a realização do filme, para ajudar outros jovens diretores. Em entrevista à rede americana CNN, disse que vai revelar todos os truques do filme e dar dicas, mesmo sabendo que vai destruir muitas ilusões. Mas acha importante que saibam como o filme foi feito. Colin diverge de muitos filmes de horror por contar a história do ponto de vista do zumbi.
Depois de todo o burburinho entre os distribuidores no Festival de Cannes, no início deste ano, a Kaleidoscope Entertainment comprou o filme e vai lançá-lo em 6 a 15 salas do Reino Unido. Mas ainda não existem planos para distribuição internacional.
O próximo projeto de Price é descrito por ele como um drama da II Guerra Mundial com uma pitada de horror – e também terá uma criatura no final. O roteiro está escrito e o elenco escolhido. Tudo o que ele precisa agora é financiamento. “Não muito, mas um pouquinho mais do que para Colin”, finaliza.
Mais....
http://www.oesquema.com.br/conector/2009/06/26/colin-em-cannes.htm
Vídeo
http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=61299468
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