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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Grandes frases" ditas por jogadores de futebol

Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG.' (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)

'Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.'
(Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)


'Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado.'
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)


'As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.'
(Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)


'Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.'
(Jardel, ex-atacante do Grêmio) 


'O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.'
(Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)


'A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.'
(Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)


'Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.' 
(Jardel, ex- jogador do  Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)


'A bola ia indo, indo, indo... e iu!' 
(Nunes, jogador do Flamengo da década de 80)


'Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.' 
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72) 


'Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.' 
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)


'No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.' 
(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)


'Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.' 
(Jardel, ex-atacante do  Grêmio e da Seleção)


'O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente...' 
(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)


'Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.' 
(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)


'Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.'
(Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)


'O difícil, como vocês sabem, não é fácil.' 
(Vicente Matheus)


'Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.' 
(Vicente Matheus)


'O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.' 
(Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)


Agora senta, chora e compare o salário deles com o seu.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pena de vida

O futebol fica de “bola cheia” com as inesquecíveis músicas de Jorge Ben Jor. País tropical, de 1969, é o hino popular do brasileiro típico, cuja identidade malandra se fundamenta, entre outras coisas, na exaltação do esporte bretão. Em 1972, o band leader lançou Fio Maravilha, homenagem ao centroavante rubro-negro, autor de um gol antológico no Maracanã, que emocionou o menino Jorge presente ali: “Tabelou, driblou dois zagueiros/Deu um toque, driblou o goleiro/Só não entrou com bola e tudo/Porque teve humildade em gol/Foi um gol de classe/Onde ele mostrou sua malícia e sua raça/Foi um gol de anjo/Um verdadeiro gol de placa/Que a galera agradecida assim cantava/Fio Maravilha, nós gostamos de você/Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver”. Em Zagueiro, de 1975, foi a vez de o músico salientar a importância, para a equipe, de um defensor que soubesse a hora de cadenciar o jogo e o momento de jogar firme: “Para ser um bom zagueiro/Não pode ser muito sentimental/Tem que ser sutil e elegante/Ter sangue frio/Acreditar em si/E ser leal/Zagueiro tem que ser malandro/Quando tiver perigo com a bola no chão/Pensar rápido e rasteiro/Ou sai jogando ou joga a bola pro mato/Pois o jogo é de campeonato/Tem que ser ciumento/E ganhar todas as divididas/E não deixar sobras pra ninguém/Tem que ser o rei e o dono da área/Nessa guerra maravilhosa de 90 minutos”.
Pelo futebol, aprendemos a amar o torto, a alegria do povo, conforme bem ilustrou o poeta Nicolas Behr, no livro Beijo de hiena (1993): “nem tudo que é torto/é errado/veja as pernas/do Garrincha/e as árvores do cerrado”. O problema é quando o desvio-padrão criativo sai de cena para entrar o desvio-padrão destrutivo. A invasão de campo feita pela brutalidade é o reflexo da pisada de bola dos cabeças de bagre. Estão de “bola murcha” os trogloditas que, numa atitude machista e homofóbica, agridem física e moralmente os torcedores do Atlético Mineiro que resolvem vestir o uniforme rosa lançado recentemente pelo próprio clube. Trata-se de um remake do preconceito sofrido pelo ex-goleiro cruzeirense Raul Plassmann, que, nos anos 60, ao utilizar a cor amarela em seu uniforme, foi atacado pela heterotirania de torcedores retrógrados.
A intolerância do Planeta Bola provocou no poeta Eduardo Alves da Costa uma crítica plausível, expressa em Outra canção do exílio (1985): “Minha terra tem Palmeiras,Corinthians e outros times/De copas exuberantes/Que ocultam muitos crimes”. Para mostrar como a zebra anda solta nos gramados, o ex-árbitro chinês Lu Jun, que apitou na Copa do Mundo de 2002, pode ser condenado à pena de morte se for comprovado o envolvimento dele no esquema de manipulação de resultados em jogos realizados na China. Infração semelhante foi cometida pelo ex-árbitro brasileiro Edílson Pereira de Carvalho. Onze partidas do Campeonato Brasileiro de 2005 apitadas por ele foram anuladas pela CBF e tiveram que ser realizadas novamente. Figura central do escândalo da “máfia do apito”, Edílson foi banido do futebol e condenado pelos torcedores a ter seu nome gritado nos estádios como xingamento correspondente ao de “juiz ladrão”. Na Justiça Comum, porém, ele não foi julgado porque não está prevista na lei brasileira a condenação de árbitros que manipulem resultados de eventos esportivos. Enquanto isso, na China, Lu Jun pode ser condenado à pena capital.
Pergunto aos adeptos da pena de morte: matar resolve? O Estado tem o direito de executar quem cometeu um delito? A pena de morte é eficaz para intimidar a ação criminosa? O sujeito que viola a lei penal deve perder, com isso, o direito à própria vida? “Qual pode ser o direito que se atribuem os homens para trucidar os seus semelhantes?”, perguntava o jurista italiano Cesare Beccaria, no ensaio Dos delitos e das penas, de 1764. “A pena capital é o mais premeditado dos assassínios”, alertava Albert Camus, opositor intransigente do Estado que mata. O escritor argelino enxergava na pena de morte um elemento de sadismo oficial inigualado por criminoso algum, pois o Estado emprega um número de pessoas e uma determinada soma de seus fundos apenas para executar um de seus cidadãos.
A pena de morte é manifestação vingativa. O que sinalizaria um paradoxo: o papel do Estado não é o de verdugo. Criminosos devem ser julgados com o rigor da lei. A justiça nasce contra a vingança, isto é, contra a ideia de que alguém cobre “olho por olho, dente por dente” de outro alguém. A pena tem como objetivo não a punição pela punição, mas a manutenção da ordem pública. O criminoso deve sofrer uma sanção para desencorajar outras pessoas a imitá-lo. Essa é a prerrogativa que norteia, modernamente, o Estado Democrático de Direito. Este, diferentemente do Estado Ditador de Deveres, deve se pautar pelo princípio educativo do “zelar e compreender”. Opostas a este paradigma, encontram-se as atrocidades destacadas por Michel Foucault, em Vigiar e punir (1975). Em defesa de tais parâmetros, a condenação à morte, segundo o filósofo francês, se mostra, na realidade, como uma mistura de fascínio pelo mal e regozijado alívio pela punição de quem ultrapassou os limites. Ou seja, trata-se de uma válvula de escape para os instintos agressivos de grande parcela da população.
Denominador comum entre a barbárie primitiva, o fanatismo medieval e o totalitarismo moderno, a pena de morte é inconcebível em um mundo que, desgastado pela deseducação vertical à Pinochet, acena para a educação horizontal à Piaget. Torcemos pela substituição definitiva da palmatória opressora pela pedagogia libertadora. Mesmo considerando a possibilidade de o ex-árbitro chinês ter pisado na bola, nada justifica a expulsão de Lu Jun do jogo da vida. Assim como canta o grupo Pedro Luís e A Parede: “sou a favor da pena de vida/se o sujeito cagou/pisou na bola/tem que resolver aqui/não pode sair fora”.

Marcos Fabrício Lopes da Silva
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Doutorando e mestre em Estudos Literários/Literatura Brasileira pela Faculdade de Letras da UFMG.